Thursday, November 30, 2006

À conta do mau feitio

Acordei, stressada como sempre e stressada saí de casa. A correr, antecipando todos os contratempos que atrasariam o meu caminho. O trânsito, as voltinhas que tinha de dar antes de chegar ao trabalho, o estacionamento do carro, essa tarefa impossível a partir do momento em que os bolsos nacionais recebem o subsídio de Natal... Com a baixa ali tão perto.

Saí de barriga vazia, ainda sem fumar aquele cigarro que me concilia com o Mundo. Cheguei ao Centro Comercial, espaço que abomino e evito, e dirigi-me à loja da TMN ainda sem confortar o estômago ou fumar o cigarro da paz. A pobre alma que me atendeu terá tido problemas técnicos para satisfazer o meu pedido. Deixou-me à seca 15 minutos e disse-me no final que nada podia fazer por mim. Teria de voltar lá amanhã. Colei-me ao tecto, deitei fumo pelos olhos e fui tão, mas tão ranhosa com o rapaz...

Voltei às lojas, dei mais uma volta. Comi, fumei... e cheguei à conclusão que tinha sido mesmo insuportável com o rapaz da TMN. Corri para fazer o que tinha a fazer e voltei à loja para lhe pedir desculpa. Assustou-se mal me viu. Descansei-o: "Venho só pedir-lhe desculpa. Ranhosei consigo... Não o deveria ter feito". A generosidade do desgraçado, ou a lição por demais estudada de que o cliente tem sempre razão, ainda que tenha mau feitio e seja francamente ranhoso, sanou o incidente. Sorriu. "Não tem importância". Vim embora, atrasada e para demorar 15 minutos a estacionar o carro. Secretamente, fui achando que merecia a sorte, à conta do mau feitio.... Cá se fazem, cá se pagam!

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

És mesmo única, flor de sol :-) Só mesmo tu para ranhosar indecentemente com um funcionário e depois ir lá propositadamente pedir desculpa! :-D
J.

Thursday, November 30, 2006 at 8:59:00 AM PST  

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